GORDURAS TRANS- TIRE SUAS DÚVIDAS!

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ALÔ PESSOAL!
Tendo em vista os vestibulares que estão chegando agora no meio do ano, vamos entender essa história de gordura trans e seus vários aspectos.
A reportagem é da veja.abril.com.br
 


A gordura trans foi inventada pelas indústrias para deixar mais saborosos vários tipos de alimentos.

1. O que é
gordura trans?
É um tipo de gordura produzida industrialmente a
partir de um processo químico, a hidrogenação. Usada desde o início do século
passado, ela passou a ser consumida com mais freqüência, e sem culpa, a partir
dos anos 50. Por ser proveniente de óleos vegetais, acreditava-se que a gordura
trans era uma opção mais saudável à gordura animal – que comprovadamente aumenta
o LDL (colesterol ruim) no sangue. A partir da década de 80, estudos científicos
provaram que a trans é um dos grandes venenos da alimentação moderna.
 
2. Como
funciona o processo de produção?
Os óleos de origem vegetal são colocados
em uma câmara de hidrogênio. Eles são submetidos a alta pressão e temperatura
e, assim, transformados em uma pasta preta de odor ruim. Depois, esta pasta é
alvejada até ficar sem cor e é desodorizada para perder o cheiro. A gordura, agora
semi-sólida, fica com a textura ideal para o processamento e preparo industrial
de alimentos.
 
3. Por
que ela recebe este nome?
Gordura trans são ácidos graxos insaturados.
A designação “trans” vem de “transversos” e o nome é referente à ordem da cadeia
de átomos do ácido graxo. Em um óleo encontrado na natureza, por exemplo, os átomos
estão distribuídos em posição paralela. No entanto, quando é submetido ao tratamento
industrial de hidrogenação, a estrutura química do óleo é modificada, fazendo
com que os ácidos graxos fiquem com os átomos em disposição “diagonal” – ou em
alinhamento transversal (trans).
 
4. Quais
alimentos possuem essa gordura?
A maior concentração dela está nas
bolachas, pipocas de microondas, chocolates, sorvetes, salgadinhos, pastéis, folhados,
tortas, bolos, tudo o que utiliza as margarinas nas receitas. Os combos servidos
nos restaurantes de fast-food estão no topo da lista de alimentos com gordura
trans. Até alguns produtos diet e light não escapam da vilã. A carne e o leite
de animais ruminantes, como bovinos e caprinos, possuem gorduras trans em quantidades
mínimas, quase inexpressivas. Neste caso, ela se forma a partir do processo de
hidrogenação natural no rúmen dos animais. Como a quantidade é insignificante,
especialistas nunca se referem a estes itens quando criticam e restringem a gordura
trans.
 
5. Há
necessidade de consumi-la? Quais são as taxas de ingestão recomendadas?
Os
especialistas explicam que a gordura trans não é sintetizada no organismo humano,
por isso permanece depositada no corpo. Como não é essencial para a saúde, não
há um valor recomendado de ingestão. O ideal é não consumi-la nunca, mas os médicos,
cientes da impossibilidade da restrição no mundo atual, recomendam o consumo mínimo.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que a ingestão de gordura trans
não ultrapasse 1% do valor calórico da dieta. O que numa alimentação de 2.000
calorias equivale a dois gramas diários de gordura trans – quantidade equivalente
a três biscoitos recheados de morango. Até as aparentemente inofensivas bolachas
tipo cream cracker ou água e sal contêm gordura trans. Seis unidades, por exemplo,
equivalem a 1,2 g e meio pacote a 4,1 g. As crianças, grandes fãs das guloseimas
trans, devem ter o consumo vigiado e controlado. Uma vez que a obesidade infantil
é hoje considerada um problema de saúde pública. Já se sabe também que a mulher
grávida que come gordura trans pode prejudicar o desenvolvimento neurológico do
feto e também tem mais tendências a ter um filho obeso.
 
6. Por
que ela é tão prejudicial à saúde? O que o consumo excessivo dessa gordura pode
causar?
A lista de problemas é enorme. O fato mais conhecido é que
a gordura trans aumenta o LDL (colesterol ruim) e diminui o HDL (colesterol bom)
no sangue. Ela também é responsável pela produção da gordura visceral, que se
acumula na região da cintura. Isso leva à síndrome metabólica, uma conjunto de
doenças graves: diabetes, pressão alta, alto nível de colesterol ruim e de triglicérides
no sangue. Essa combinação causa acúmulo de placas de gordura na parede dos vasos
sangüíneos, fator que pode resultar em ataque cardíaco e AVC (acidente vascular
cerebral). Pesquisas sugerem que as mulheres que consomem altos índices de gordura
trans têm duas vezes mais chances de sofrer de câncer de mama. Já outros estudos
indicam que a gordura trans faz com que as membranas percam sua flexibilidade,
dificultando a transmissão de impulsos nervosos, que podem estar ligados com o
aumento da incidência de depressão.
 
7. Se
ela faz mal, então qual a vantagem de produzi-la?
Embora pareça não
ter nenhum ponto positivo, a gordura trans é a grande responsável por fazer com
que os alimentos fiquem saborosos. Ela também valoriza a aparência dos alimentos,
deixando-os mais dourados e crocantes – no caso de salgadinhos de pacote e alguns
tipos de bolachas. Além disso, a gordura trans aumenta o prazo de validade, permitindo
que os produtos permaneçam muito mais tempo nas prateleiras sem estragar.
 
8. Existe
alguma alternativa à gordura trans?
Algumas indústrias alimentícias
já dispõem de óleo de palma em substituição à trans. A utilização desse óleo tornou-se
viável já que ele conseguia manter as características de conservação, sabor e
crocância sem precisar passar pelo processo de hidrogenação. Apesar de ser menos
nocivo que a gordura trans, o óleo de palma não é a opção mais saudável. Alternativas
como óleos de oliva e canola fariam melhor ao organismo humano, porém, como são
líquidos, os fabricantes argumentam que o custo para transformá-los em gordura
sólida não compensaria.
 
9. Como
posso saber se o alimento é rico em gordura trans?
Em 2006, a Agência
Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou que o item “gordura trans”
passasse a ser impresso na tabela nutricional do rótulo dos alimentos. Com isso,
as empresas foram obrigadas a especificar, além do teor de lipídeos e de gorduras
saturadas, a quantidade total de ácidos graxos trans presentes nos produtos. Os
dados nutricionais, que já não são fáceis de serem interpretados por um consumidor
leigo, às vezes são maquiados e até falsos. Os fabricantes chegam a informar,
por exemplo, que a metade de uma bolacha tem a quantia total de 0,2 g de gordura
trans. O problema é que as pessoas não costumam comer apenas meio biscoito e a
informação acaba passando despercebida. No caso de restaurantes e lanchonetes,
não há obrigatoriedade de informar sobre a quantidade de gordura trans. Alguns
deixaram de usá-la voluntariamente em suas receitas.
 
10.
Já existem alimentos sem essa gordura?
Nas prateleiras dos supermercados
é possível encontrar produtos denominados “trans free”, como sorvetes, bolachas
e margarinas. Não há, necessariamente, um destaque desse fato na embalagem. Para
ter certeza, é preciso checar a tabela nutricional. Segundo a Anvisa, o alimento
que tiver quantidade menor ou igual a 0,2 grama de gordura trans pode se promover
como “zero trans”. Para se ter uma idéia, de acordo com a Associação Brasileira
das Indústrias da Alimentação (Abia), apenas 30% dos biscoitos vendidos no Brasil
são livres de gordura trans.
 
11.
Ela é proibida em algum lugar do mundo?
Há um esforço global para
que a gordura trans suma do cardápio. Alguns países optam por adotar apenas medidas
educativas para informar as pessoas. A Dinamarca resolveu proibir e considerar
a gordura trans uma substância ilegal no seu país – exemplo seguido pela Suíça.
O Ministério da Saúde australiano anunciou que colocará prazo para que as indústrias
a substituam, assim como foi feito no Canadá – onde o governo deu três anos. Nos
Estados Unidos, as cidades de Nova York, Filadélfia e Seattle já proíbem o uso
deste tipo de gordura. Recentemente, o estado da Califórnia se tornou o primeiro
do país a aprovar uma lei proibindo os restaurantes e comerciantes de alimentos
de usar gordura trans. A lei, que entra em vigor em 2010, poderá multar os estabelecimentos
que descumprirem a ordem.
 
12.
E no Brasil, qual a posição das indústrias em relação a eliminação da gordura
trans?
As indústrias não aceitam qualquer prazo para eliminar a gordura
trans dos alimentos consumidos no país. A Associação Brasileira das Indústrias
da Alimentação (Abia) alega que há falta opções para substituir esse tipo de gordura.
Ela justifica que está se empenhando em novas pesquisas. O presidente da Abia,
Edmund Klotz, chegou a ironizar o prazo sugerido pelo ministro da Saúde, José
Gomes Temporão. Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo ele disse que
se fosse fixada uma data para acabar com a gordura trans, seria necessário voltar
à época da “velha banha de porco”. 

QUANTIDADE DE GORDURA TRANS EM ALGUNS ALIMENTOS:

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