MERCÚRIO – O ÚNICO METAL LÍQUIDO

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INICIAMOS HOJE UMA VIAGEM ATRAVÉS DA TABELA PERIÓDICA, MOSTRANDO ALGUNS ELEMENTOS INTERESSANTES.

HOJE, VAMOS CONHECER O MERCÚRIO, O ÚNICO METAL LÍQUIDO EM TEMPERATURA AMBIENTE. VER SUAS CARACTERÍSTICAS, SUA IMPORTÂNCIA E SUA TOXICIDADE.

Mercúrio faz mal à saúde? Entenda os riscos de intoxicação - TecMundo
Mercúrio – imagem: Tecmundo

O elemento químico mercúrio é um metal bastante conhecido pode também ser chamado de azougue e prata-viva, se encontra entre os metais de transição externa e pertence ao grupo 12 ou grupo do Zinco. Seu símbolo é Hg, possui número atômico igual a 80 e unidade de massa igual a 200,5. Uma de suas características que mais ganha destaque nos estudos de química é que ele é o único metal que se encontra no estado físico líquido na temperatura ambiente.

Os indícios mais antigos do uso do mercúrio datam de 3500 anos a.C. e ele logo passou a ser considerado mágico justamente por ser extremamente denso e líquido. Para os alquimistas este elemento junto com o sal e o enxofre era uma das três substâncias fundamentais.

Foi descoberto na Grécia e seu nome deriva da fundição dos termos “água” e “prata” devido a suas características e também homenageia o Deus Mercúrio.

Outra característica verificada neste metal líquido é que quando sofre efeito de carga elétrica pode fazer com que seu vapor se combine com os gases nobres, entre eles o Argônio (Ar).

É um metal de coloração prateada, é um bom condutor de corrente elétrica, possui alta densidade, é inodoro e não é um bom condutor de calor.

Tem a capacidade de formar amálgamas com os elementos ouro e prata, as chamadas ligas metálicas. Sob efeito de altas temperaturas desprende gases tóxicos e corrosivos.

ONDE SE ENCONTRA?

O minério mais importante de mercúrio é o cinábrio cujas maiores reservas minerais são encontradas na Espanha, nas minas de Almadén.

O mercúrio pode estar associado com hidrocarbonetos gasosos e líquidos (petróleo, betumes) e também com jazidas de carvão mineral. É um elemento de origem profunda (manto terrestre) que possivelmente ascende na forma de metil ou dimetil, mercúrio. Também possui relação com gás hélio.

CICLO DO MERCÚRIO

O mercúrio atmosférico pode entrar no ciclo do mercúrio de forma natural por sua liberação a partir de depósitos de mercúrio, volatilização do oceano, atividades vulcânicas e outros processos geotérmicos. Porém, além desses processos naturais, atividades humanas têm grande impacto no ciclo do mercúrio. Uma das principais é a queima de combustíveis fósseis , se tornando uma das fontes de entrada de vapor de mercúrio na atmosfera.

Além disso, a progressiva utilização do mercúrio para fins industriais e o uso de pesticidas contendo mercúrio na agricultura resultaram no aumento significativo da sua concentração ambiental, especialmente da água.

Iniciando o ciclo a partir da atmosfera, o mercúrio proveniente de fontes naturais ou antropogênicas pode circular por até um ano antes de se dispersar amplamente. A partir daí, o Hg0 pode sofrer uma oxidação fotoquímica, perdendo elétrons, para se tornar mercúrio inorgânico, que pode se combinar com vapores de água e cair sobre a superfície da Terra como chuva. O mercúrio agora se encontra na forma de íon Hg2+ , é depositado em corpos de água podendo infiltrar nos solos.

Uma vez no solo, o mercúrio se acumula até um evento físico fazer com que ele seja liberado novamente. Uma vez na água, o mercúrio Hg2+ entra num ciclo complexo, no qual uma forma pode ser convertida para outra. Nesse processo, ele pode gerar formas insolúveis, que sofrem sedimentação e se depositam no fundo, podendo ainda posteriormente ser liberado por difusão ou ressuspensão dessas partículas.

A partir disso, o mercúrio pode entrar na cadeia alimentar, ou pode ser liberado de volta à atmosfera por volatilização. Algumas bactérias são capazes de processar compostos de mercúrio e, através de um processo metabólico de detoxicação produzem a forma chamada de metilmercúrio. Essa forma é tóxica para muitos organismos, principalmente mamíferos. O metilmercúrio pode ser uma das vias de entrado do mercúrio na cadeia alimentar, já que esta forma demonstra afinidade por tecidos orgânicos. Por isso, o aumento das concentrações de mercúrio no ambiente proveniente de contaminação por atividade humana é preocupante, já que pode aumentar a produção de metilmercúrio. Além disso, essa forma apresenta uma propensão à bioacumulação nos tecidos vivos dos organismos à medida que passa por sucessivos níveis tróficos.

A principal forma de exposição do homem ao metilmercúrio dá-se através da dieta, principalmente pelo consumo de peixes de ambientes contaminados por mercúrio. Uma vez no organismo, o metilmercúrio é absorvido rapidamente e eliminado lentamente. Nos mamíferos, o metilmercúrio acumula-se preferencialmente no sistema nervoso central devido à sua afinidade com aminoácidos, abundantes neste sistema. Esse metilmercúrio pode causar danos neurológicos, podendo levar à paralisia e até a morte.

Resumo visual:

imagem: https://educacaopublica.cecierj.edu.br

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TOXICIDADE DO MERCÚRIO:

mercúrio
Usos e toxicidade do mercúrio imagem: Chemical Risk

Os sais formados por mercúrio mais importantes são:

  • Fulminato de mercúrio (Hg(CNO)2): empregado como um detonador, é corrosivo e altamente tóxico.
  • Cloreto de mercúrio (I) ou calomelano (Hg2Cl2): composto branco, pouco solúvel em água. Empregado como um purgante, anti-helmíntico e diurético;
  • Cloreto de mercúrio (II), ou sublimado corrosivo: empregado como desinfetante. Foi o primeiro medicamento que apresentou eficácia no tratamento da sífilis.
  • Sulfeto de mercúrio ou cinábrio (HgS): mineral de cor vermelho púrpura, translúcido, utilizado em instrumental científico, aparatos elétricos, ortodontia etc.
  • Timerosal (COO-Na+(C6H4)(S-Hg-C2H6)): empregado como agente bacteriostático análogo ao merthiolate.
  • Metilmercúrio: forma orgânica do mercúrio é bioacumulativo. Na década de 50, provocou acidente no Japão, que ficou conhecido como Doença de Minamata. Neste caso, peixes foram contaminados por mercúrio, proveniente de uma instalação industrial, e as pessoas da região, que consumiam esses peixes, foram intoxicadas aguda e cronicamente pelo mercúrio.
  • Mercúrio vermelho: suspeita-se que seja empregado na fabricação das chamadas bombas sujas.

As principais aplicações do mercúrio no nosso dia a dia são:

  • Instrumentos de medidas (termômetros e barômetros);
  • Lâmpadas fluorescentes;
  • Catalisador em reações químicas;
  • Medicamentos;
  • Fabricação de espelhos;
  • Detonadores e explosivos;
  • Corantes;
  • Pilhas;
  • Odontologia (em desuso);
  • Fabricação de instrumentos de laboratório (termômetros, eletrodos, instrumentos de medir pressão do sangue, outros). 
25-01- 2- TOXICOCINÉTICA D MERCURIO -
imagem: https://mundoergonomia.com.br

UTILIZAÇÃO DO MERCÚRIO NO GARIMPO

Rede Globo > globo ecologia - Mercúrio utilizado no garimpo causa  contaminação no solo e em pessoas
imagem: Rede Globo

Entre as propriedades do mercúrio, está a capacidade da forma orgânica desse elemento se acumular ao longo da cadeia alimentar, causando a contaminação de peixes e o risco de envenenamento de quem deles se alimenta , inclusive seres humanos. A intoxicação por mercúrio pode provocar danos ao sistema neurológico. As consequências podem variar desde dores no esófago e diarreia a sintomas de demência. Depressão, ansiedade, dentes moles por inflamação e falhas de memória também estão entre os sintomas. Um perigo ofuscado pelo brilho do ouro.

Para o garimpeiro, o que importa são outras propriedades do mercúrio. Primeiro, a capacidade de se unir a outros metais e formar amálgamas, o que é fundamental em garimpos, onde os minúsculos grãos de ouro precisam ser separados dos sedimentos dragados de leitos de rios ou da terra escavada. Após esse cascalho passar um período em esteiras, para que os metais se assentem e sejam separados de sedimentos mais leves, o material concentrado é jogado em betoneiras onde é misturado à agua e ao mercúrio.

Os pequenos grãos se agregam com ajuda do mercúrio e podem ser separados com mais facilidade. Em garimpos onde é usado maquinário mais pesado, como balsas, os sedimentos são dragados para dentro de misturadores, chamados pelos garimpeiros de cobra-fumando, onde se costuma também utilizar o mercúrio para evitar que partículas de ouro sejam desperdiçadas. No final, os restos contaminados são despejados no solo ou no rio.

o mercúrio se liquefaz e evapora em temperaturas menores do que o ouro. Portanto, basta um maçarico para separar os dois metais e obter o ouro puro. Quando realizado em ambiente aberto, esta parte do processo libera o mercúrio em forma de gás para a atmosfera. Quando feito em ambiente fechado, o vapor de mercúrio é inalado, provocando problemas respiratórios e lesões na pele. ( https://oeco.org.br )

VEJA A EXTRAÇÃO DE OURO USANDO O MERCÚRIO:

pesquisas: Wikipédia, infoescola.com.br , brasilescola.uol.com.br , Rede Record , Rede Globo

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